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 "BEM VS MAL" - O Demiurgo

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O Essencialista
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MensagemAssunto: "BEM VS MAL" - O Demiurgo   Seg Out 24, 2011 3:51 pm

Hoje me pego a refletir sobre o dito "Mal" que não é nada ao meu ver alem de pontos de vistas diferenciados de pessoas e seres em sua classe evolutiva, pois como sabemos o que é bom para mim talvez não seja bom para ti. Vejamos um Pai que da umas "palmadas em seu filho, para o filho ele é mau mas para o Pai ele apenas educa o filho, sendo assim quem nos educa depois de sermos os "donos" da dita verdade humana.. Deus ?
Más a pontos de vistas diferenciados Deus ciador (1°) faria o dito "mal" humano para nos castigar ou para nos ensinar a evoluir ?!? Pense.. sera que as coisas ruins que lhe ocorreram na ultima semana, sera que você merecia isso ou sera que foi injusto ? Sera que você ou mesmo eu não precisaríamos disso para evoluir ?!? Uns dirão que não enquanto a minoria a ler esta escrita refletirá sobre os fatos da sua ultima semana, e sobre isso eu digo para a maioria que pode dizer que é injusto que se fulano ou sicrano lhe fez um mal, lhe falou asneiras ou mesmo grosserias sera que você não escolheu sentir remorso ou rancor, ou mesmo raiva e ira pois sentimos o que queremos.. só aceitamos uma ofensa a nós direcionadas se quisermos, não disse ser fácil intender ou mesmo reagir a isso de cabeça quente mas disse que com pratica em força de vontade podemos escolher o sentimento a ser cultivado.

Se analisarmos as citações de muitas religiões ou doutrinas existentes veremos que em sua maioria existe um "Elo" geral que é ou amar o próximo ou amar a vida, e em ambos os casos o bem inerente esta em todas, mas dai vejo a questão do mal, Mal para quem ?.. más irremediavelmente esta em nos encontrar onde esta e o que é definitivamente mal e sobre isso cito um trecho de o Demiurgo onde ao meu ver mostra com clareza definição de bem e do mal.



"O Demiurgo

René Guénon
Título original: "Le Démiurge" ( assinado com o pseudônimo T. Palingénius ).
Publicado inicialmente na revista La Gnose, novembro/ dezembro de 1909 e janeiro de 1910.
Constitui o capítulo I do livro Mélanges, Paris, ed. Gallimard, 1976

Parte I

Existem alguns problemas que constantemente vêm preocupando o homem, mas aquele que se há apresentado geralmente como o mais difícil de resolver é o da origem do mal, com o qual se depararam, como se fosse um obstáculo intransponível, a maioria dos filósofos e sobre tudo os teólogos: "Si Deus est, unde Malum ? Si non est, unde Bonum ?"(1). Este dilema é, com efeito, insolúvel para aqueles que consideram a Criação como obra direta de Deus, e que, em consequência, estão obrigados a responsabilizar-lhe do bem e do mal. Se dirá sem dúvida que esta responsabilidade é atenuada em certa medida pela liberdade das criaturas; mas, se as criaturas podem escolher entre o bem e o mal, é porque tanto um como outro já existiam, ao menos em princípio; e se as criaturas são suscetíveis de decidir-se às vezes em favor do mal em lugar de fazê-lo sempre em favor do bem, é porque são imperfeitas. Como então Deus, sendo perfeito, pôde criar seres imperfeitos ?

É evidente que o perfeito não pode produzir imperfeição, já que, se isto fosse possível, o perfeito deveria conter em si mesmo o imperfeito em estado principial, com o que deixaria de ser o perfeito. O imperfeito não pode então proceder do perfeito por via de emanação; assim, não poderia resultar senão da criação "ex nihilo", mas como admitir que algo possa proceder do nada, ou, em outros termos, que possa existir alguma coisa carente de princípio ? Por outro lado, admitir a criação "ex nihilo" seria admitir o aniquilamento final de todos os seres criados, já que o que teve um começo deve também ter um final, e não há nada mais ilógico que falar de imortalidade em tal hipótese. Mas a criação assim entendida é um absurdo, posto que é contrária ao princípio de causalidade, que é inegável para todo homem sincero e medianamente razoável, com o que podemos dizer como Lucrécio: "Ex nihilo nihil, ad nihilum nihil posse reverti". (2)

Não pode haver nada que careça de um princípio; mas, qual é este princípio? – Não será, na realidade o Princípio único de todas as coisas ? - Se consideramos o universo total, é evidente que ele contem todas as coisas, posto que todas as partes estão contidas no todo. Por outro lado, o Todo é necessariamente ilimitado, já que, se tivesse um limite, o que estivesse para lá deste limite não estaria compreendido pelo todo, sendo esta suposição completamente absurda. O que não tem limite pode ser chamado Infinito, e como contém tudo, é o Princípio de todas as coisas. Por outra parte o Infinito é necessariamente "uno", porque dois infinitos que não fossem idênticos se excluiriam um ao outro; resultando disto que não há mais que um Princípio Único de todas as coisas, e este Princípio é o Perfeito, posto que o Infinito só pode ser tal se é o Perfeito. (3)

Assim o Perfeito é o Princípio Supremo, a causa primeira, que contêm todas as coisas em potência e produziu todas as coisas ; mas então, posto que não há mais que um Princípio Único, de onde saem todas as oposições que normalmente se consideram no universo: o Ser e o Não-Ser, o Espírito e a matéria, o Bem e o Mal ? Nos encontramos aqui com a mesma pergunta do começo, e agora podemos formulá-la de uma maneira mais geral: como pôde a unidade produzir a dualidade ?

Alguns acreditaram que deviam admitir dois princípios distintos, opostos um ao outro, mas esta hipótese está descartada pelo dito anteriormente. Com efeito, estes dois princípios não podem ser ambos infinitos, pois se excluiriam ou se confundiriam; se só um fosse infinito, este seria o princípio do outro; e, se ambos fossem finitos, não seriam verdadeiros princípios, já que dizer que aquilo que é finito pode existir por si mesmo é admitir que algo possa sair do nada, posto que todo finito tem um começo logicamente , senão cronologicamente.

Nesse último caso, como consequência, um e outro, sendo finitos, deveriam proceder de um princípio comum, que é infinito, o que nos volta a levar em consideração um princípio único. Além do mais, muitas doutrinas que observamos como dualistas não o são mais que em aparência; no Maniqueismo, como na religião de Zoroastro, o dualismo não é mais que uma doutrina puramente exotérica, cobrindo uma verdadeira doutrina esotérica da Unidade: Ormuz e Ahrimán são ambos engendrados por Zervané-Akérêné (4), e devem com ele fundir-se no final dos tempos.

A dualidade é então necessariamente produzida pela Unidade, posto que não pode existir por si mesma; mas, como pode ser produzida ? Para entende-lo devemos considerar primeiramente a dualidade sob seu aspecto menos particular, que é a oposição do Ser e do Não-Ser ; Aliás, já que um e outro estão forçosamente contidos na Perfeição Total, é evidente, em princípio, que esta oposição não pode ser mais que aparente. Assim, valeria mais a pena falar somente em distinção; mas, em que consiste esta distinção ? existe, em realidade, independente de nós mesmos, ou não será, simplesmente, o resultado de nossa forma de ver as coisas ?

Se por Não-Ser entendemos o puro nada, é inútil seguir falando, pois o que podemos dizer daquilo que é nada ?

Mas, outra coisa bem distinta seria considerar o "Não-Ser" como possibilidade de Ser ; deste modo o Ser seria a manifestação do Não-Ser e, entendido desse modo, o Ser estaria contido em estado potencial no Não-Ser. A relação entre o Não-Ser e o Ser é então a relação entre o manifestado e o não-manifestado, e podemos dizer que o não-manifestado é superior ao manifestado, posto que é seu princípio, já que contém em potência todo o manifestado mais o que não é, nunca foi, nem jamais será manifestado.

Ao mesmo tempo, vemos aqui a impossibilidade de falar de uma distinção real, já que o manifestado está contido em princípio no não-manifestado; de qualquer forma, não podemos conceber o não-manifestado diretamente, senão unicamente através do manifestado. Assim, esta distinção existe para nós e somente para nós.

Se é assim concebida a dualidade quanto a distinção entre ser e não-ser, com maior razão deve ser igualmente em seus demais aspectos. Com isso vemos o caráter ilusório da distinção entre espirito e matéria, sobre a qual se edificaram - sobre tudo nos tempos modernos - grande quantidade de sistemas filosóficos, como se isso se tratasse de uma base irrevogável ; e , desaparecendo esta distinção, de tais sistemas não sobra nada. Além do mais, podemos ressaltar que a dualidade não pode existir sem o ternário, já que se o princípio supremo, ao diferenciar-se, dá nascimento a dois elementos - que por outra parte só são distintos em quanto nós os consideramos como tais - estes e seu princípio comum formam um ternário. E de tal forma isto é assim que, em realidade, é o ternário e não o binário o que é imediatamente produzido pela primeira diferenciação da unidade primordial.

Voltemos agora à distinção entre o Bem e o Mal, que não é em si mais que um aspecto particular da dualidade. Quando opomos Bem e Mal, consideramos geralmente o Bem como perfeição, com o que o Mal não é outra coisa senão o imperfeito. Mas, como o imperfeito poderia se opor ao perfeito? Já vimos que o perfeito é o princípio de todas as coisas, e que, por outro lado, não pode produzir o imperfeito; daí resulta que o imperfeito não existe, ou que, ao menos, o imperfeito só pode existir como elemento constitutivo da perfeição total, e, sendo assim, não pode ser realmente imperfeito, e o que chamamos imperfeição não é mais que relatividade.

Assim, o que chamamos erro é verdade relativa, já que todos os erros devem estar compreendidos na verdade total, sem o que esta, estando limitada por algo que estaria fora dela, não seria perfeita, o que equivale a dizer que não seria a verdade. Os erros, ou, melhor dizendo, as verdades relativas, não são senão fragmentos da verdade total; é pois a fragmentação a que produz a relatividade, e em consequência, poderíamos dizer que, se relatividade fosse realmente sinônimo de imperfeição, poderia considerar-se como causa do mal. Porém o mal só é tal quando se distingue do bem.

Se chamamos bem ao perfeito, realmente o relativo não é algo distinto, já que em princípio está contido nele; então, desde o ponto de vista universal, o mal não existe. Existirá unicamente se consideramos as coisas sob um aspecto fragmentário e analítico, separando-as de seu princípio comum, em lugar de considera-las sinteticamente como contidas nesse princípio, que é a perfeição. Assim é criado o imperfeito; distinguindo o Mal do Bem cria-se os dois por esta distinção mesma, pois o Bem e o Mal são tais se opomos um ao outro e, se não há mal, não há motivo para referir-se ao Bem no sentido ordinário dessa palavra, senão unicamente da Perfeição. É pois a fatal ilusão do dualismo quem realiza o Bem e o Mal, e que, considerando as coisas sob um ponto de vista particularizado, substitui a Unidade pela multiplicidade, e encerra assim os seres sobre os quais exerce seu poder no domínio da confusão e da divisão. Este domínio é o império do Demiurgo."

* * *
Notas:

1."Se Deus existe, porque o mal ? Se não existe, porque o bem ? "
2."Do nada nada surge, ao nada nada pode reverter"
3. Ou seja, a soma de todas as qualidades.
4. Ormuz, Ashriman e Zarvané-Akérêné pertencem à tradição mazdeísta. O mazdeísmo floresceu na região da Pérsia pré-islâmica. Também é conhecido por zoroastrismo (por causa de Zoroastro). Como na visão atualmente mais difundida sobre essa tradição sua ênfase estaria na dualidade, no culto a dois "deuses", um do "bem" (Ormuz) e o outro do "mal" (Ashriman), René Guénon usa-a como exemplo, observando que mesmo nesse caso considerava-se a existência de um Princípio, Zarvané-Akérêné, que, usando termos míticos, foi o pai dos gêmeos Ormuz e Ashriman.Zoroastro (ou Zaratrusta) foi um sacerdote do mazdeísmo ( ou uma figura emblemática de todo o sacerdócio mazdeísta) que revificou essa doutrina no século V a.C. Mas apesar de ainda existirem adeptos hoje em dia, a doutrina está fragmentada e em parte perdida.



Sinceramente dizendo tentei postar um menor trecho desta obra de Réné Guénon más ficaria incompleto a tentativa de elucidar o que estou tentando dizer e sendo que o que postei é pequeno por demais se comparado ao todo direcionado a mesma questão.




(1°) Digo Deus criador para não citar religiões e sim somente o Dono da criação.





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